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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Soledad, a mulher do Cabo Anselmo

Nota da Redação: O programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, entrevista nesta segunda, às 22 horas, o ex-militar José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, ex-participante de um motim na Marinha, nos anos 60, que, após um período de exílio em Cuba, voltou para o Brasil, foi preso e delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do DOPS. A lista de denunciados incluiu sua companheira, Soledad Viedma, que acabou torturada e morta pela ditadura. A TV Cultura escolheu o Cabo Anselmo como entrevistado para marcar a estreia de Mario Sergio Conti, ex-diretor da Veja e atual diretor de redação da revista Piauí, na condução do programa.
A escolha se dá justo no momento em que se discute no Brasil a instalação da Comissão da Verdade, que enfrenta muita resistência de setores que insistem em manter na penumbra fatos ocorridos em um dos períodos mais tenebrosos da história do Brasil. Publicamos a seguir um artigo do escritor Urariano Mota, autor de um livro sobre Soledad Viedma.

“O Grande Jurista”

Bem, às vezes é importante ser direto. No âmbito do direito, em especial, parece que vivemos fantasias construídas. Mas a academia deveria ser o palco para dizer umas boas verdades. Os norte-americanos, por exemplo, fazem isso o tempo todo, como também aqui os alemães.
No Brasil, contudo, infelizmente, a cultura constitucional é voltada para bajular o que temos. Nossa cultura ainda é fortemente marcada pela personalização das relações, não se construindo uma possível percepção de que criticar um trabalho, uma decisão, um texto, entre tantas outras atividades, possa ser algo diverso do que uma crítica pessoal. Toda crítica se torna, assim, uma crítica à pessoa que realizou aquela atividade e, não, à própria atividade. E, portanto, ninguém critica um trabalho, porque fica com receio de que o outro fique triste, magoado, raivoso e também que o contra-ataque se dê no âmbito pessoal. Projeta-se uma bola de neve de questões pessoais, que pouco contribui para o debate.
Questões estratégicas caminham também nessa direção. Historicamente, as faculdades de direito são estruturadas pelo jurista profissional, aquele que é advogado e professor, juiz e professor, promotor e professor e assim vai. Não se construiu, assim, uma cultura de independência crítica, até por questões naturalmente explicáveis da natureza humana. Um advogado, afinal, não vai ficar muito confortável tecendo críticas a juízes, porque não é mesmo inteligente, sob o viés estratégico, fazê-lo. E assim vai.
Logicamente, uma coisa não significa a outra (há vários acadêmicos que exercem profissões jurídicas tradicionais que são bastante críticos da realidade, como também há vários acadêmicos típicos que nada o fazem), mas esse é um diagnóstico importante. Aqui mesmo na Alemanha, há uma discussão a respeito da independência dos professores em relação às pretensões de assumirem posição no Tribunal Constitucional, na medida em que, devido às questões políticas, especialmente na área do direito público, a crítica à prática jurídica tem sido mais suave do que em outras áreas.
Enfim, independência acadêmica é algo importante, exatamente para termos liberdade de fazermos as devidas críticas, quando reputamos relevante. Esse é o papel da academia.
Pensando nisso, hoje resolvi fazer uma crítica acadêmica direta sobre o que tanto falamos a respeito do “grande jurista”. Reparem que não é uma crítica pessoal – lembrem-se da minha observação acima -, mas uma opinião de alguém que pesquisa e trabalha na área a respeito da qualidade acadêmica da produção de outrem. Naturalmente, divergências existem e são saudáveis. O debate, portanto, está aberto. Mas é preciso dar início a esse tipo de reflexão. É fundamental pararmos de bajular a realidade jurídica. Devemos exercer mais nossa independência. Eis a crítica:
Depois de lermos constitucionalistas e teóricos do direito do porte de um Jack Balkin, Daryl Levinson, Sanford Levinson, John Rawls, John Hart Ely, Ronald Dworkin, Mark Tushnet, Cass Sunstein, Bruce Ackerman, Christoph Möllers, Laurence Tribe, Marcelo Neves e tantos outros, dói demais ouvir de pessoas o seguinte comentário: “apesar de tudo, Gilmar Mendes é um grande autor do direito e um jurista respeitado”.
Bem, minha opinião: é um dogmático, compilador de jurisprudência e de alguma doutrina, mas não tem nada de especial. Como teórico, fica bem a desejar. Seu raciocínio tende mais para uma perspectiva “manualesca” do que efetivamente acadêmica. O propósito também parece ser mais construir obras que dão lucro (aliás, muito lucro), do que aprofundar temáticas complexas do constitucionalismo. Vende seus livros como água, mas que pouco agregam a nossa cultura constitucional. Quando tenta fazer algo, muitas vezes parece ligado a uma estratégia de poder, com uma ênfase clara em dar ao STF poderes que nem de longe tem ou deveria ter. Aliás, em várias passagens, há falácias históricas e teóricas que, para um bom entendedor, doem na alma. Verdades construídas e bem longe de serem constatadas. Traduções fora de contexto. Autores fora de contexto. Cansei de ver exemplos, já escrevi artigos a respeito e até mesmo orientei trabalhos nessa linha.
Muitos vão dizer que ele é o grande autor do controle de constitucionalidade brasileiro. Não nego que ele tenha uma relevância a partir de seus estudos nessa área e trouxe uma certa projeção do assunto no âmbito do direito constitucional. Escreveu, afinal, sobre esse tema em praticamente todos seus livros e na grande maioria de seus artigos. Do mesmo modo, esse tem sido o foco de suas orientações já há algum tempo.
Mas, vamos examinar cuidadosamente seus textos. Eles partem de uma lógica que se repete: 1) uma abordagem histórica do controle de constitucionalidade; 2) uma análise comparada do controle de constitucionalidade; 3) algumas observações sobre como poderia ser nosso controle de constitucionalidade. Com algumas leves variações entre seus textos, é esse o desenhar de seus estudos. Não se tem aqui muito mais do que uma descrição histórica (com saltos argumentativos e anacronismos problemáticos, na minha opinião), uma descrição do sistema de controle que serve de paradigma comparativo (também com algumas verdades altamente contaminadas por uma vontade de dar grandes poderes à Suprema Corte), e conclusões que caminham para esse mesmo objeto: é importante que o STF assuma uma postura tão forte como a do paradigma.
Fora os atentados teóricos a várias metodologias de direito comparado, que ressaltam bem os riscos da transposição de conceitos e métodos entre realidades jurídicas bastante diversas, existe um problema de lógica em várias das conclusões. As premissas adotadas são questionáveis, a forma de se interpretar o paradigma também e, naturalmente, a conclusão não poderia ser muito diferente. E essa lógica se repete em seus textos. Quando vai para outros temas, normalmente – aqui ainda mais evidentemente -, o seu grande trabalho é de compilação de jurisprudência e julgados.
As abordagens sobre direitos fundamentais normalmente não entram nos grandes debates que hoje se encontram a respeito do tema e, em algumas passagens, chegam a ser uma mera transposição de alguns conceitos que são muito utilizados aqui na Alemanha nos livros destinados aos alunos da graduação para fazerem o Exame de Estado. Porém, aqui mesmo na Alemanha, sabe-se que se preparar para o Exame de Estado é uma atividade estratégica de quem está definindo seu futuro naquele momento. Para quem já está no doutorado ou no âmbito da pesquisa, aquelas premissas são altamente questionáveis e problemáticas.
Em seus textos, não são os grandes livros de doutrina alemã que ali encontramos, salvo algumas passagens (muitas vezes descontextualizadas) de um autor ou outro (Häberle, Hesse, Alexy e cia.). Os institutos trazidos, do mesmo modo, são reproduzidos como verdades.
Vejam o caso do princípio da proporcionalidade, que tem várias abordagens e complexidades nem de perto por ele abordadas, e, do mesmo modo, o controle abstrato alemão, que nem de longe tem essa dimensão que seus textos aparentam dar, já que aqui o grosso dos julgados do Tribunal Constitucional – em torno de 97% dos casos – decorre do Verfassungsbeschwerde, que é uma reclamação constitucional que tem um caso concreto por trás (e mesmo que se diga que há uma abstração em algum momento, o caso está sempre lá de algum modo).
Tampouco há aprofundamento temático, predominando o tipo de análise panorâmica em que de tudo se fala um pouco. E suas conclusões caminham normalmente para dar esse ar colorido ao papel das cortes constitucionais.
Existe também uma evidente cronologia de seus textos que parece demonstrar que, depois de ter começado a trabalhar o tema do controle de constitucionalidade, nada muito novo apareceu. Seus melhores trabalhos são sua tese de doutorado e alguns escritos posteriores. Depois desse momento, praticamente o que se tem são repetições e atualizações. Surge um novo instituto, ele vai lá e descreve. Muda-se a jurisprudência, ele vai lá e descreve.
Enfim, sua grande capacidade encontra-se na atividade de descrição, o que não é um exercício mental dos mais complexos. Aliás, não há, em seus textos, nenhuma grande discussão complexa de direito constitucional. Se fala tanto no papel do STF, pouquíssimo se encontram discussões sobre separação de poderes no sentido mais dramático do termo. Se fala tanto em direitos fundamentais, não há profundos debates sobre os principais temas que os envolvem (teorias da justiça, teorias da interpretação jurídica a partir dos estudos mais densos a respeito – e há muitos textos maravilhosos -, teorias sociológicas e econômicas que lançam olhar sobre o tema). Enfim, muito aquém de uma pesquisa de fôlego.

Operação da Polícia retira famílias da comunidade Alto da Paz em Fortaleza


A Polícia Militar desapropria na manhã desta quinta-feira (20), cerca de 350 famílias que vivem na Comunidade Alto da Paz, no Vicente Pinzón, em Fortaleza. Segundo o Comando de Policiamento Ronda do Quarteirão, os moradores resistem e queimaram colchões, madeira e caixas de papelão.
Antes
De acordo com relatos de moradores, a prefeitura está oferecendo R$ 100 de ajuda de custo às famílias retiradas, no entanto, algumas famílias dizem que não receberam a ajuda e outros dizem que o valor é considerado insuficiente. Durante ação da polícia, quatro pessoas ficaram feridas.

Segundo a Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor), a Prefeitura não assumiu compromisso de oferecer R$ 100 e sim, de conceder casas no novo empreendimento que será construído no local para as famílias que já estão na área e que atente o perfil de baixa renda, exigido pelo Minha Casa Minha Vida.
Depois
A Habitafor afirma que firmou no dia 27 de janeiro deste ano um acordo com as famílias da ocupação que habitam terreno público no Bairro Vincente Pinzon, para que fosse realizada a desocupação pacífica da área. Segundo a prefeitura, 80% das famílias acordaram assinar um termo de compromisso.

Construção de moradias
Conforme a prefeitura, no terreno desapropriado, serão construídas 1.472 moradias para a população das comunidades do Titanzinho e do Serviluz, com saneamento básico, água, sistema viário e iluminação.

Segundo a prefeitura, a Justiça autorizou a retirada das famílias, concluiu o processo licitatório para a construção das unidades habitacionais do Projeto Serviluz e após a desocupação total do terreno será dada a ordem de serviço do empreendimento.

Número de PMs expulsos ou demitidos cresce 204%

Em 2013, 73 PMs foram expulsos ou demitidos da corporação. No ano anterior, haviam sido 24. 
Na Polícia Civil, foram 13 demissões ano passado
Setenta e três policiais militares foram demitidos ou expulsos da corporação em 2013, um aumento de 204% na comparação com o ano anterior. Em 2012, foram quatro expulsos e 20 demitidos; no ano seguinte, os números subiram para 17 e 56, respectivamente.
Na Polícia Civil, foram 13 demissões no ano passado, duas a menos que em 2012. Os dados são da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), que divulgou também números relacionados a processos administrativos disciplinares contra servidores dos Bombeiros e da Perícia Forense e agentes penitenciários da Secretaria da Justiça e Cidadania (ver infográfico). Foi a primeira vez que o órgão, criado em junho de 2011, apresentou uma série histórica.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Regime Militar do Chile

Regime Militar é o período da História do Chile compreendido desde o dia 11 de setembro de 1973, quando os comandantes em chefe das Forças Armadas e o general diretor de Carabineiros do Chile deram um golpe de Estado e depuseram o governo do presidente Salvador Allende, até o 11 de março de 1990, quando Augusto Pinochet entregou o poder ao presidente eleito nas eleições.
O Chile sofreu uma importante transformação econômica, política e social, para a vez que se cometeram sistemáticas violações aos direitos humanos. Políticamente, o regime se caracterizou por um modelo autoritário de governo.
O golpe de estado
Em 11 de setembro de 1973, um golpe de Estado ao mando dos comandantes das Forças Armadas, terminou com o mandato do presidente Salvador Allende. Tropas do exército e aviões da Força Aérea atacaram o Palácio de La Moneda, a sede de governo, onde Allende supostamente teria se suicidado antes que as tropas militares entrassem no Palácio.
DINA
Ao fim de 1974 foi criada oficialmente a DINA (Direção de Inteligência Nacional) pelo decreto lei N° 521 (ainda funcionava de fato desde fins de 1973). Esta Direção ficou a cargo do tenente coronel de engenheiros Manuel Contreras.
A DINA tinha faculdades para deter e confinar pessoas em seus centros operativos durante os estados de exceção. Como estes estados duraram quase toda a ditadura, a DINA teve estas faculdades durante toda sua existência.
Esta organização teve a tarefa de enfrentar-se a um inimigo que, de acordo a visão política da Junta Militar, era a sedição marxista. Treinados na Escuela de las Américas, os agentes da DINA iniciaram uma campanha de repressão, focalizado principalmente no GAP (Grupo de Amigos Pessoais de Allende, sua guarda pessoal) com sessenta mortos, o MIR (Movimento de Esquerda Revolucionário) com 400, o Partido Socialista do Chile com 400 e o Partido Comunista do Chile com 350.
A DINA empregou o sequestro, a tortura e o assassinato. Tinha também agentes internacionais, sendo o mais destacado o estadunidense Michael Townley, quem assassinou a Carlos Prats em Buenos Aires e a Orlando Letelier em Washington DC.
Seu outro dispositivo internacional era a Operação Condor, de cooperação entre os diversos organismos de contra - insurgência das ditaduras latino americanas, com o objetivo de conter qualquer elemento de esquerda política. Apenas se detinha seu funcionamento ao ser substituída pela CNI (Central Nacional de Informações), e Contreras por Odlanier Mena.
O Fim do Regime Militar
Em 1980, Augusto Pinochet promulgou uma constituição que legalizava seu governo ditatorial. Mas em consequência disso as pressões feitas por grupos organizados contra o governo aumentaram significativamente.
A movimentação popular conquistou a realização de um plebiscito popular em 1987 que resultou na proibição da permanência de Pinochet no governo do país. Dois anos após, Patrício Aylwin foi eleito para o cargo de presidente, acabando com o regime ditatorial de Pinochet e dando início à punição dos militares envolvidos com os crimes da ditadura.
Reações posteriores
Desde 1993 processado pela justiça após o fim da ditadura militar, com condenações anteriores que chegaram a sete anos de prisão domiciliar, Manuel Contreras, o temido chefe da DINA, foi condenado à prisão perpétua em junho de 2008 como mandante do assassinato do general Prats e sua esposa em Buenos Aires, em 1974.1
Em 1 de setembro de 2009, a justiça chilena expediu ordem de prisão a 120 militares e ex-agentes do serviço secreto chileno, por atentados contra os direitos humanos acontecidos no governo Pinochet, entre eles, Contreras, já preso, referente a casos de assassinatos e desaparecimentos de cidadãos chilenos e estrangeiros durante a Operação Condor.2 3
Referências
La Segunda
O Globo
BBC Brasil
Ligações externas (em espanhol)
Informes Oficiales de Derechos Humanos en Chile
Especial del Plebiscito de 1988 - TVN
Especial Gobierno Militar - Canal 13
Régimen Militar - Icarito
Memoria Viva. Archivo digital de las Violaciones de los Derechos Humanos de la Dictadura Militar en Chile (1973-1990)

N0 (Fim da ditadura no Chile - filme completo)



Em 1988, o ditador chileno Augusto Pinochet, diante da pressão internacional, convoca um referendo sobre o seu mandato. Os líderes da oposição convencem o jovem publicitário René Saavedra (Gael García Bernal) a liderar sua campanha.
Com pouquíssimos recursos e permanente vigilância dos guardas de Pinochet, Saavedra e sua equipe criam um audacioso plano para vencer a eleição e libertar seu país da opressão.

Garotos Podres - A Internacional (L'Internationale, Socialist Anthem)



A Internacional

De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verrá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional


(Tradução para o Brasil – Original: letra de Eugène Pottier + Pierre Degeyter / música de Pierre De Geyter)

A Internacional


A Internacional (em francês: L'Internationale) é um hino internacionalista, sendo também uma das canções mais conhecidas de todo o mundo.
A letra original da canção foi escrita em francês em 1871 por Eugène Pottier (1816-1887), que havia sido um dos membros da Comuna de Paris. A intenção de Pottier era a de que o poema fosse cantado ao ritmo da Marselhesa. Em 1888, Pierre De Geyter (1848–1932) transformou o poema em música.
A Internacional ganhou particular notoriedade entre 1922 e 1944, quando se tornou o Speaker Icon.svg hino da União Soviética. Desde então, foi traduzida em inúmeros idiomas. A canção é tradicionalmente cantada com o punho fechado ao ar. Apesar de estar associada aos movimentos socialistas, A Internacional também serve de hino para comunistas, social democratas e anarquistas.
Composição
A Internacional foi composta em 18 de Junho de 1888 por Pierre Degeyter, operário anarquista de origem belga fixado com a sua família na cidade francesa de Lille. Naquele dia fora oferecido a Degeyter um livro de poemas de Eugéne Pottier, operário francês também anarquista, membro da Comuna de Paris durante a qual foi eleito maire do 2.º Bairro de Paris. Após o sangrento esmagamento da Comuna, de cuja defesa participou, Pottier partiu para o exílio durante o qual escreveria diversos poemas, entre os quais o que viria a constituir a letra de A Internacional.
É fundamentalmente a partir de 1896, após a realização do congresso do Partido Operário Francês realizado nesse ano em Lille e durante o qual foi tocado e cantado, que o hino se espalha por toda a França e pela Europa através dos delegados estrangeiros presentes.
Difusão d'A Internacional
A Internacional tornou-se o hino do socialismo internacional revolucionário. Seu refrão: C'est la lutte finale./Groupons-nous et demain/L'Internationale/Sera le genre humain, que, traduzindo livremente, significa, "Esta é a luta final./Vamos nos juntar e amanhã/A Internacional/Irá envolver toda raça humana" (a tradução mais usual costuma ser:Bem unidos façamos, / Nesta luta final, / Uma terra sem amos /A Internacional). A Internacional foi traduzido para várias línguas. Tradicionalmente é cantado com a mão esquerda levantada.
Em muitos países europeus, a canção foi considerada ilegal no início do século XX por causa de imagem comunista.
A versão em russo serviu como hino da União Soviética de 1917 a 1941, quando foi trocada pelo Hino nacional da União Soviética por Stalin e também foi usada como hino do Partido Comunista da União Soviética. Foi traduzida originalmente por Aron Kots (Arkadiy Yakovlevich Kots) em 1902 e impressa em Londres na revista de imigrantes Zhizn (Vida). A primeira versão russa consistia em três versos e o refrão. Mais tarde foi aumentado e algumas palavras foram trocadas.
A Internacional não é cantada apenas por comunistas mas também por socialistas (em muitos países) ou social-democratas, e os anarquistas que a mantem na integra, sem cortes como outras vertentes fazem. Em A Revolução dos Bichos de George Orwell, a canção recebe uma paródia.
A Internacional como hino
A Internacional serve de hino a vários partidos políticos em todo o mundo todo. Em Portugal, A Internacional é o hino dos partidos Socialista e Comunista, além da Juventude Socialista.
No Brasil, é a canção oficial do Partido Comunista do Brasil. Os anarquistas brasileiros também o adotam. Porém, diferentemente dos comunistas, mantêm a versão original da tradução de Neno Vasco para o verso "Messias, deus, chefes supremos", ao invés de "Senhores, patrões, chefes supremos". O verso é suprimido na versão do Partido Comunista para evitar conflitos com alas da Igreja Católica que o apoiam. no Brasil foi gravada pela banda paulista de punk rock Garotos podres, cujo vocalista é doutor em história e estudioso dos escritos de Karl Marx.
A Internacional em Portugal
O autor da versão portuguesa da sua letra é o anarcossindicalista Neno Vasco que no ano de 1909 traduz do francês para o português este hino. É contudo claro que ela acompanha de perto o original francês, reflectindo no seu fraseado a influência da literatura e poesia ligadas ao anarcossindicalismo, maioritário no movimento operário português nas primeiras décadas do século passado.
Não se conhecendo qualquer registo fonográfico português do hino anterior a 1926 e à sua proibição pelo salazarismo, é de admitir que a primeira gravação seja a realizada para o LP "Cânticos Revolucionários em Português", gravada em Lisboa em 1975 pela editora Metro-Som (LP 105), com interpretação de "elementos dos coros da Fundação Calouste Gulbenkian e do Teatro S. Carlos e intervenção da Banda Portuguesa, Siegfried Sugg no acordeão e Daniel Louis em toda a percussão". A direcção musical é de J. Machado e J. Gomes, seguindo os arranjos muito de perto as versões francesas então mais conhecidas, nomeadamente as popularizadas pelo Groupe 17.
Por altura da comemoração do 60.º aniversário do Partido Comunista Português (1981), integrou-se no programa a produção e gravação de uma versão claramente portuguesa do que os estatutos do PCP definem como respectivo hino.
Contudo, na versão do PS, Mário Soares alterou alguns versos, e assim a letra é diferente entre as versões de A Internacional do PCP e do PS.
A Internacional no Brasil
Assim como em Portugal, não há uma data exata da chegada do hino em terras brasileiras. Contudo, sabe-se que seu canto foi amplamente difundido na grande Greve Geral promovida por anarcossindicalistas em São Paulo em 1917. É certo, todavia, que o hino dos trabalhadores aportou em terras tupiniquins junto com trabalhadores imigrantes portugueses, espanhóis e italianos.
A letra mantém-se muito próxima à versão de Neno Vasco. Mas mantém versos antimilitaristas ("Verás que nossas balas, são para os nossos Generais" - o equivalente a Brigadeiro em Portugal). Isto poderia ser explicado pela participação distinta dos militares portugueses e brasileiros na política em seus respectivos países. Enquanto no Brasil tivemos um Golpe de Estado Militar (1964) de caráter reacionário empenhado em desmobilizar pela repressão toda e qualquer organização popular, conforme desejava a Operação Condor, em Portugal, ao contrário, os militares fizeram uma revolução democrática social e pró-trabalhadores (Revolução dos Cravos) em 1974.
No Brasil, A Internacional foi gravada pela banda paulista de punk rock Garotos Podres no álbum Garotozil de Podrezepam, lançado em 2003.

A VOZ DO TRABALHADOR – Orgam da Confederação Operária Brazileira


ENDEREÇO: Rua do Hospício, 156 (a partir do nº 1 – Jul.1908), Rua do Hospício, 144 (a partir do nº 5 – Nov.1908), Rua do Hospício, 166 (a partir do nº 17 – Ago.1909), Rua Barão de Gonçalo, 6 (a partir do nº 22 – Jan.1913), Rua General Câmara, 335 (a partir do nº 30 – Mai.1913) e Rua das Andradas, 87 (a partir do nº 43 – Nov.1913).
CIDADE: Rio de Janeiro - RJ
PERIODICIDADE: nº1 – nº4 (ano I) – Bimensal
                                 Nº5 – nº7 (ano I) – Semanal
                                 Nº9 (ano I) – nº 61 (ano VII) – Bimensal
                                 Nº62 (ano VII) – nº71 (ano VIII) - Mensal
Nº DE PÁGINAS: 4 páginas (em média) - com exceção do n°30, (6 páginas em comemoração ao 1° de Maio – Max dos Vasconcelos), e do n° 48, (8 páginas).
DATAS – LIMITE: 01 jul.1908 –08 jun.1915
EXEMPLARES: Ano I -  1-15
                           Ano II -  16–21
                           Ano VI -  21-45
                           Ano VII -  46-65
                           Ano VIII - 66-71
REDAÇÃO/RESPONSÁVEL: n/c
ILUSTRAÇÃO/FOTOGRAFIA: n/c

COLABORADORES: Marcelo Varema, Jagunço, A Barão, Albino Moreira, Neno Vasco, João Penteado, Amaro de Matos, Manuel Moscoso, Euripedes Floreal, José Martins entre outros. Muitos colaboradores não assinam as matérias e outros abreviam os nomes.
CARACTERIZAÇÃO: O Jornal é organizado em cinco colunas, com artigos de opinião, noticiário e espaço para a propaganda de livros.
DESCRIÇÃO: Como o próprio periódico se define, A Voz do Trabalhador, ele é “no campo da imprensa o mais legítimo porta-voz dessa colossal e sofredora falange de escravos do trabalho que vive a mourejar brutalmente neste grave eito que se estende desde as cochilas gaúchas até os cálidos seringais da Amazônia”.
A Voz do Trabalhador é um jornal anarco-sindicalista, criado em 1908, que teve a sua origem na fundação da Confederação Operária Brasileira em 1906, no Rio de Janeiro onde “sentiu-se a necessidade de uma força impressa que denunciasse e informasse sobre a vida dos trabalhadores no Brasil”.
A Voz do Trabalhador apresenta-se como um jornal informativo, que dava conta das greves, da vida dos sindicatos, das lutas contra a carestia, da repressão policial e etc., com importantes debates entre lideranças como Neno Vasco e João Crispim, noticias dos estados e suas movimentações sociais. Enfim a Voz do Trabalhador é um periódico do começo do século XX que registra um dos momentos mais importantes da mobilização operária brasileira.
OBS.: : A Voz do Trabalhador: Orgam Da Condederação Operária Brazileira:, edição  fac-similiar com 71 números, referente ao período de 1908 – 1915. Prefácio de Paulo Sérgio Pinheiro. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado: Secretaria do Estado da Cultura: Centro de Memória Sindical, 1985.

Periódico 'A Voz do Trabalhador' (1908-1915) e a Confederação Operária Brasileira (COB)


Rio de Janeiro, 1913 - A Voz do Trabalhador Jornal da COB - Edição do 1º de Maio de 1913.
Voz do Trabalhador (periódico)
A Voz do Trabalhador foi um periódico anarquista publicado no Brasil cuja temática principal era a relação entre anarquismo e sindicalismo. Além dessa questão, outras como a repressão policial, carestia de vida, a solidariedade entre trabalhadores e até mesmo teatro e literatura libertária foram discutidas em suas páginas.
Esse jornal foi fundado na cidade do Rio de Janeiro, em 1908, como parte das atividades promovidas pela Confederação Operária Brasileira.
Neno Vasco foi um dos membros de seu coletivo editorial. A Redação do periódico funcionou em diferentes endereços, entre os quais Rua do Hospício, nº 156; Rua General Câmara, nº 335 e Rua das Andradas, nº 87. A primeira fase (mensal) vai de 1908 até 1909 e a segunda, quinzenal, de 1913 até 1915.
Na edição inaugural, em um texto não assinado, os anseios políticos desse impresso foram bem delineados: "O que desejamos, e havemos de conseguir, custe o que custar, - é a emancipação dos trabalhadores da tirania e exploração capitalista, transformando o atual regime do assalariado e do patronato num regime que permita o desenvolvimento de organizações de produtores-consumidores, cuja célula inicial está no atual sindicato de resistência ao patronato". 1 .

Professor Filgueira Sampaio (Acervo cultural)







Arte: Educação