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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A ARTE DA GUERRA - MAQUIAVEL

A ARTE DA GUERRA  - MAQUIAVEL

A arte de
1. Arregimentar
2. Disciplinar
3. Preparar-se
4.  Inspirar
5. Precaver-se.

PONTOS CENTRAIS
1. Recrutamento humano
2. Tipos de armas
3. Treinamento intensivo e disciplinador
4. Formas ideais de acampamento
5. Construção e ataque nas fortificações
6. Tipos de víveres a levar
7. Terrenos mais apropriados
8. Recompensas e castigos

UM LIVRO TÉCNICO SOBRE A ARTE DE ARREGIMENTAR E DISCIPLINAR UM EXÉRCITO, DE PREPARAR-SE PARA UMA GUERRA DEFENSIVA, MOVER GUERRA OFENSIVA, INSPIRAR O GUERREIRO À PRECAUÇÃO PARA CONQUISTAR A VITÓRIA. 7

O mundo evoluiu espantosamente, mas guerra e paz, dominio e poder, devastação e conquista, são temas tão prementes hoje quanto o eram no Século XVI e hoje, talvez, até mais do que o eram então. 7 nota do Tradutor.  8

Ser rápido e estar pronto para cometer qualquer espécie de violência. 9

Entre os antigos, nas repúblicas e nas monarquias, se havia uma classe de cidadãos a quem se procurava inspirar de preferência a fidelidade às leis, o amor à paz e o respeito aos deuses, era, certamente, aos cidadãos que eram soldados. De quem, com efeito, a pátria deveria esperar a maior fidelidade do que aquele que prometeu morrer por ela? Quem deveria amar mais a pátria, senão aquele que geralmente mais sofre com a guerra? Quem, enfim, deveria respeitar, sobretudo, a Deus senão aquele que, expondo-se todos os dias a uma multidão de perigos, tem maior necessidade do auxílio do céu? 10

O único pesar que confessou no leito de morte, a seus amigos foi o de morrer entre seus familiares, jovem e sem glórias, sem que qualquer serviço importante pudesse ter assinalado sua carreira. Sentia que não haveria nada a dizer dele, a não ser que havia se conservado fiel à amizade. 13

COSTUMES ANTIGOS: Se alguém educar seus filhos para as batalhas, como os espartanos, fazendo-os dormir ao relento, marchando descalços e com a cabeça coberta e tomar banho nas águas geladas durante o inverno, para fortalecê-los contra a dor, para enfraquecer neles o amor pela vida e lhes inculcar o desprezo da morte... só vivesse de verduras... desprezasse as riquezas... 16

Necessário honrar e recompensar a virtude, não desprezar a pobreza, ter estima pelas instituições e disciplinas militares, empenhar os cidadãos a ter estima recíproca, a fugir das facções, a preferir os benefícios comuns em vez das vantagens pessoais. Enfim, praticar outras virtudes similares bem compatíveis com os tempos de hoje. 17

Guerra feita como profissão não pode ser exercida honestamente pelos privados em qualquer tempo. A guerra deve ser tarefa exclusiva dos governos, das repúblicas ou dos reinos. Um estado bem constituído jamais permitiu a seus cidadãos ou a seus súditos movê-la, por iniciativa deles próprios, e jamais, a bem dizer, um homem de bem, a abraçou como sua profissão específica. 18

POR QUE HOMENS NÃO DEVEM TER A GUERRA COMO ÚNICA PROFISSÃO?
... os roubos, os assassinados, a violência de todo tipo, coisas que tais soldados se permitem em relação a seus amigos e a seus inimigos. Seus comandantes, na  necessidade de afastar a paz, arquitetam mil artimanhas para prolongar a guerra e, se a paz finalmente é estabelecida, forçadas a renunciar a seu soldo e à luxúria de seus costumes, organizam um bando de aventureiros e passam a saquear, sem piedade, províncias inteiras. (...) esse foi o comportamento de todos os soldados da Itália que fizeram da guerra sua única profissão. 19

A GUERRA FAZ OS LADRÕES E A PAZ. OS LEVA À FORCA
De fato, quando um cidadão que vivia unicamente da guerra perdeu esse meio de subsistência, não tem a virtude suficiente para saber se curvar, como o homem honrado, sob o jugo da necessidade. Ele é forçado pela própria necessidade, a vagar pelas grandes estradas, forçando a justiça a caçá-lo para o destino da forca. 19-20

Um homem honesto não pode abraçar, como sua profissão, o exercício das armas... uma república ou o reino sabiamente constituído jamais permitiriam isso a seus cidadãos ou a seus súditos. 20

Enquanto a república se manteve pura, jamais um cidadão poderoso procurou servir-se da profissão das armas para manter, durante a paz, sua autoridade, derrubar todas as leis, devastar as províncias, tiranizar sua pátria e submeter tudo à sua vontade. Jamais um cidadão das classes inferiores do povo ousou o violar seu juramento militar, aliar sua fortuna àquela dos cidadãos privados, desafiar a autoridade do Senado e promover atentados contra a liberdade, a fim de poder viver o tempo todo, com sua profissão das armas. Os generais, nos primeiros tempos, satisfeitos com as honras do triunfo, voltavam, de bom grado, à vida privada. Os soldados depunham as armas com prazer muito maior de quando as haviam tomado e retomavam suas atividades habituais sem nunca terem concebido o projeto de viver do produto das armas e dos despojos de guerra. 20

Um dos grandes privilégios que o povo romano concedia a um cidadão era o de não ser obrigado a pegar em armas contra a sua vontade. 21

Um estado bem constituído deve, portanto, prescrever a arte da guerra aos cidadãos como um exercício, um objeto de estudo durante a paz e, durante a guerra, como um objeto de necessidade e uma ocasião para conquistar glória. Mas compete tão somente ao governo, como ocorreu com o de Roma, exercê-lo como empreendimento. Todo cidadão privado, que tem outro objetivo no exercício da guerra é um mau cidadão. Todo Estado que é regido por outros princípios é um Estado mal constituído. 21

Um rei não deve preferir cercar-se de homens que se ocupem unicamente da guerra. Uma monarquia bem constituída deve evitar com todas as suas forças, uma semelhante ordem das coisas que só serve para corromper o rei e para criar agentes de tirania. 21

Uma monarquia bem constituída não concede a seu rei uma autoridade sem limites, a não ser sobre os exércitos. Somente nesses é que subsiste a necessidade de tomar decisões rápidas e por isso é preciso que um só comande. Em todo o resto, porém, um rei nada deve fazer sem um conselho, e esse conselho deve temer que subsista na corte do rei uma classe de homens que, durante a paz, deseje constantemente a guerra porque sem a guerra ela não pode viver. 23

Um rei deve recear aqueles que não têm outra profissão a não ser aquela das armas. 22

Se um rei não comanda seu exército de tal modo que, em tempos de paz, a infantaria não deseje voltar a seus lares para exercer suas respectivas profissões, esse rei está perdido. A infantaria mais perigosa é aquela que não tem outra profissão senão a guerra, porque um rei que dela se tem servido uma vez é forçado a mover guerra sempre ou pagá-la sempre ou ainda correr o risco de se ver. Despojar de seus Estados. Mover guerra sempre é impossível. Pagá-la sempre não é menos impossível. Não resta outro perigo senão o de perder seus Estados. 22

Por isso, os romanos, enquanto conservaram sua sabedoria e sua virtude, jamais permitiram, como já o disse, que os cidadãos fizessem da guerra sua única profissão. Não era porque não pudessem pagá-los.sempre, pois estavam sempre em guerra, mas porque temiam os perigos que decorrem da profissão continuada das armas. 22

MESMO QUE AS CIRCUNSTÂNCIAS NÃO MUDASSEM, OS HOMENS MUDAVAM SEM CESSAR. 22

Os romanos regulamentaram de tal modo o tempo de serviço militar que, em 15 anos, suas legiões se encontravam totalmente renovadas. Só queriam homens na flor da idade, desde os 18 até os 35 anos. Nessa etapa da vida, pernas, braços e olhos gozam de igual vigor e não esperavam que o soldado perdesse forças ou crescesse em insubordinação, como ocorria nos tempos corruptos da república. 22

Augusto, e a seguir Tibério, mais ciosos de sua própria autoridade do que aquilo que poderia ser útil à república, foram os primeiros a desarmar o povo romano, para poder mais facilmente subjugá-lo e a manter constantemente os mesmos exércitos nas fronteiras do império. Julgando que esse meio não era suficiente para subjugar o povo e o Senado criaram o exército pretoriano sempre acampado próximo às muralhas de Roma, dominando como uma cidadela. A facilidade com que concederam aos cidadãos enviados aos exércitos fazer do exercício das armas sua única profissão produziu a insolência da soldadesca que se tornou o terror do Senado e que tanto mal fez aos próprios imperadores. As legiões decaptaram vários deles, entregaram o império ao bel prazer de seus caprichos e, por diversas vezes, havia ao mesmo tempo vários imperadores eleitos por diferentes destacamentos do exército. E qual foi o resultado de todas essas desordens? Primeiramente, o esfacelamento do império e, por fim, sua ruína. 22-23

Os reis, ciosos de sua segurança, devem, portanto, compor sua infantaria de homens que, no momento da guerra, dediquem-se, de boa vontade, por amor deles, ao serviço dos exércitos, mas que, selada a paz, retornem com a maior boa vontade para seus lares. 23

É preciso que recrutem homens que possam viver de outra profissão e não somente daquela das armas. 23

Um rei deve pretender que, ao final da guerra, seus grandes vassalos voltem para governar seus súridos, seus comandantes voltem para cultivar suas terras, sua infantaria retorne para exercer suas diversas profissões, e cada um deles, enfim, deixe voluntariamente a guerra para ter paz e procure não perturbar a paz para ter guerra. 23

Não repita mais, portanto, que na paz todo militar encontra meios de subsistência. A questão de manter soldados pagos durante a paz é muito mais difícil de resolver. 24

... esse costume de pagar soldados é repreensível, funesto e sujeito aos maiores abusos. 24

... ao modo dos antigos que compunham sua cavalaria com seus próprios súditos, enviados depois durante os períodos de paz,
Para o exercício de suas profissões habituais. 24

... se hoje parte das tropas vive da profissão das armas, só acontece por causa da corrupção de nossas instituições militares. Quanto aos vencimentos que são mantidos para nós generais, afirmo uma vez mais que é uma medida muito perniciosa. Uma república sábia não deve concedê-los a ninguém e só deve ter na guerra generais escolhidos entre seus próprios cidadãos. Além disso, em tempos de paz deve obrigá-los a retornar a sua prossão habitual. 24

Um rei prudente não deve igualmente conceder qualquer vencimento a seus generais, exceto se for como recompensa de grande ação ou o preço dos serviços que esses lhe prestam durante a paz. 25

Minha profissão é governar meus súditos e defendê-los. Para tanto, DEVO AMAR A PAZ E SABER FAZER A GUERRA. 25

As recompensas e a estima de meu rei não são tanto o preço de meus talentos militares, mas os conselhos que faz questão de receber de mim durante a paz. Todo rei sábio e que quer governar com prudência só deve querer junto dele homens desse tipo. É igualmente perigoso para ele que aqueles que o cercam, sejam demasiado amigos da paz ou demasiado amigos da guerra. 25



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