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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

JACK WELCH - O EXECUTIVO DO SÉCULO - ROBERT SLATER (1999)

 

Antes dos trechos do livro...

Atualização 2026... 25 anos após a escrita do livro 

Ler o livro de Jack Welch ainda é fascinante pelas lições de liderança, cultura de meritocracia e gestão de pessoas. Porém, no mundo dos negócios atual, a visão dele de manter tudo sob o mesmo teto foi considerada ultrapassada pelo mercado, provando que o modelo de conglomerados perdeu espaço para empresas ultraespecializadas.

Aproveite o livro de Welch pelas técnicas de foco em execução, eliminação de burocracias e energia de liderança. Mas leia sabendo que a história provou que o modelo estrutural dele era insustentável. O mercado descobriu que é melhor ser o melhor do mundo em uma única coisa (como fazer motores de avião) do que tentar ser dono de 12 indústrias completamente diferentes e um banco ao mesmo tempo.

E se não fosse ele? 

Você tocou no ponto central de todo o debate acadêmico e de mercado sobre a GE: sim, funcionou muito bem para a época dele, e é inegável que a GE não teria se tornado o monstro que foi sem a liderança de Jack Welch. 

A grande polêmica que os historiadores de negócios tentam decifrar é se as sementes da destruição foram plantadas pelo próprio Welch ou se os sucessores apenas geriram mal o império. A resposta fica exatamente no meio termo.

Por que funcionou tanto COM ele?

Nos anos 1980 e 1990, o mundo era muito diferente. A internet estava apenas começando, o mercado financeiro estava se desregulamentando e os conglomerados eram vistos com ótimos olhos. Welch era um executor brilhante para aquele contexto: 

• Cultura de Crise: Ele assumiu a GE em 1981 quando ela estava engessada por burocracia. Ele cortou níveis de gerência, vendeu divisões lentas e deu agilidade à empresa. 

• Poder de Negociação: Sob a liderança magnética dele, o tamanho da GE jogava a favor. Uma divisão ajudava a financiar a outra, e a nota de crédito perfeita (Triple-A) garantia bilhões de dólares em empréstimos baratos para o grupo. 

A grande ilusão da saída: Desmoronou logo depois?

Aparentemente, sim. Welch se aposentou em setembro de 2001 (exatamente na semana do 11 de setembro) no topo absoluto da sua glória. Dias depois, seu sucessor, Jeff Immelt, assumiu e enfrentou uma sequência de crises. 

Porém, analistas modernos apontam que o colapso aconteceu após a saída dele porque Welch saiu na hora exata em que o modelo esgotou. Ele entregou um carro correndo a 300 km/h, mas com o motor prestes a fundir: 

1. A maquiagem do "curto prazo": Welch tinha uma obsessão doentia em bater as estimativas de lucro de Wall Street a cada trimestre. Para conseguir isso, ele usava a GE Capital para comprar empresas menores no fim do trimestre e inflar os números artificialmente. Quando ele saiu, Wall Street começou a exigir transparência, e os números pararam de fechar. 

2. Falta de inovação real: Enquanto a GE gastava bilhões recomprando suas próprias ações para fazer o preço subir artificialmente na Bolsa, ela deixou de investir pesado em tecnologia profunda para o futuro, perdendo espaço no setor de energia e tecnologia industrial. 

3. Cultura do medo: O sistema de demitir os 10% piores criou uma liderança de "sim práticos". Ninguém abaixo de Welch ousava dizer a ele que a GE Capital estava correndo riscos demais com hipotecas e derivativos perigosos. 

O Veredito Histórico

Jack Welch foi o maior CEO do século XX? 

Para os acionistas daquela época, sim. Ele gerou uma riqueza brutal em curto prazo. 

Mas o modelo dele tinha data de validade. Ele não preparou a GE para a era da internet e para um mundo onde empresas hiperfocadas (como Apple, Google ou dedicadas de energia) venceriam os conglomerados gigantescos. O que desmoronou após a saída dele não foi culpa apenas dos novos CEOs, mas sim o colapso de uma estrutura que já dependia de "malabarismos financeiros" para parecer perfeita. 

A General Electric que você está conhecendo no livro de Jack Welch não existe mais como uma única empresa. Em abril de 2024, a GE concluiu uma separação histórica e foi dividida em três empresas independentes listadas na Bolsa de Valores, colocando um fim definitivo ao modelo de megaconglomerado defendido por Welch.

O modelo de "12 grandes ramos" funcionou muito bem nos anos 1980 e 1990, fazendo a GE se tornar a empresa mais valiosa do mundo na época. No entanto, após a aposentadoria de Welch em 2001, a gigante começou a sofrer com o próprio tamanho. O braço financeiro da empresa (GE Capital), que Welch expandiu agressivamente, quase faliu a companhia inteira na crise de 2008. Nos anos seguintes, a GE acumulou dívidas bilionárias, perdeu eficiência e acabou sendo removida do prestigiado índice Dow Jones em 2018.

Para salvar o negócio, o CEO Larry Culp iniciou uma reestruturação profunda que culminou na divisão da GE nas seguintes empresas independentes:

GE Aerospace (Ticker: GE): Ficou com o negócio principal de motores de aviação e serviços aeroespaciais. É a maior e mais valiosa das três remanescentes.

GE Vernova (Ticker: GEV): Focada totalmente em energia (turbinas a gás, hidrelétricas e eólica) e transição energética. Suas ações dispararam recentemente devido à enorme demanda por energia gerada pelos data centers de Inteligência Artificial.

GE HealthCare (Ticker: GEHC): Separou-se no início de 2023 e cuida da divisão de equipamentos médicos e tecnologia hospitalar.


Para compreender a fundo o que você está lendo, é preciso conectar o otimismo do livro de Jack Welch (que governou a GE de 1981 a 2001) com a dura realidade que se impôs nos anos seguintes.

O modelo que parecia perfeito nos anos 1990 escondia falhas estruturais severas. Abaixo está a história completa da queda do império e a situação financeira de suas herdeiras.

1. O Monstro da Engenharia Financeira: A GE Capital

No livro, Welch provavelmente exalta a eficiência e a diversificação da GE Capital. O que não está no livro é o mecanismo perigoso criado por trás dela.

Brazil Journal

O "Rabo que abanava o cão": Welch percebeu que, por ter uma nota de crédito perfeita (Triple-A), a GE conseguia pegar dinheiro emprestado a juros baixíssimos no mercado. Ela usava esse dinheiro barato para financiar de tudo: cartões de crédito, seguros, hipotecas e leasing de aviões.

Brazil Journal

Maquiagem de lucros: Emprestar dinheiro dava um retorno muito mais rápido e massivo do que fabricar turbinas ou lâmpadas. Sob o comando de Welch, a GE Capital cresceu tanto que passou a responder por mais de 50% dos lucros de toda a corporação. Se os negócios industriais iam mal em um trimestre, a GE Capital simplesmente acelerava as operações financeiras para "bater as metas" exigidas por Wall Street.


Brazil Journal

A Bomba de 2008: Quando Welch se aposentou em 2001, ele deixou essa bomba relógio nas mãos de seu sucessor, Jeff Immelt. Em 2008, com a Crise Global das Hipotecas, o mercado de crédito congelou. Como a GE Capital dependia de empréstimos de curto prazo para se manter viva, ela quase faliu do dia para a noite. O governo americano teve que intervir para salvar a GE, e a empresa passou os 15 anos seguintes vendendo ativos às pressas para pagar dívidas e evitar a concordata.

Forbes Brasil

2. O Método de Gestão: A Regra dos 10% (Rank and Yank)

Jack Welch ganhou o apelido de "Neutron Jack" (em referência à bomba de nêutrons, que destrói as pessoas mas deixa os prédios de pé). Sua filosofia de meritocracia era baseada no sistema de Curva Forçada (ou Rank and Yank):


A divisão: Todo ano, os gerentes eram obrigados a avaliar seus funcionários e dividi-los estritamente em três grupos:

Os Top 20% (Classe A): Superestrelas, que ganhavam bônus gordos e promoções.

Os 70% do Meio (Classe B): Funcionários estáveis e vitais para a operação, que recebiam aumentos padrão.

Os 10% de Baixo (Classe C): Os de pior desempenho.

A demissão compulsória: Pertencer aos 10% de baixo significava demissão automática. Não importava se a equipe inteira fosse excelente; o gestor tinha que escolher 10% para cortar.


NPR

O Legado Tóxico: Embora tenha gerado resultados de curto prazo e uma cultura intensamente competitiva, o método acabou implodindo as empresas no longo prazo. Estudos e livros modernos (como "O Homem que Quebrou o Capitalismo") mostram que a regra dos 10% destruiu o trabalho em equipe, gerou uma cultura de medo e fez com que. funcionários sabotassem uns aos outros para não ficarem nos últimos 10%.


3. O Desempenho Atual do Mercado

A divisão em três empresas focadas gerou um imenso valor para os acionistas, desfazendo o "desconto de conglomerado" que puxava as ações para baixo. Hoje, o mercado pune megacorporações confusas e recompensa focos bem definidos.


Ah, você está lendo o excelente "Jack Welch: O Executivo do Século" (ou "Jack Welch & The G.E. Way"), do Robert Slater. 

Esse livro é espetacular por um motivo: Robert Slater teve acesso sem precedentes a Jack Welch e aos diretores da GE na década de 1990. Ele escreveu a obra no auge absoluto do sucesso da empresa. Por isso, o tom do livro é de pura exaltação — tudo o que Welch fazia parecia mágica corporativa e dava certo. 

A sua leitura do cenário está correta. Para fazer justiça à história, precisamos separar o que aconteceu em duas partes:


1. "Funcionou com ele?"

Sim, funcionou brutalmente bem. Dizer que a GE desmoronou depois não apaga o fato de que Welch realizou uma das maiores criações de valor acionário da história global. 

• Quando ele assumiu em 1981, a GE valia cerca de US$ 14 bilhões.Quando ele saiu em 2001, ela valia mais de US$ 400 bilhões (chegando a passar dos US$ 500 bilhões), tornando-se a empresa mais valiosa do planeta.Sem a agressividade dele para cortar os "elefantes brancos" burocráticos nos anos 80, a GE teria sido engolida pela concorrência japonesa. Ele deu o senso de urgência e a musculatura financeira que fizeram a empresa chegar gigante ao século XXI. 

2. "Tudo desmoronou após a saída dele?"

Não imediatamente, mas o colapso foi o resultado direto das escolhas dele. Imagine que Jack Welch construiu um arranha-céu espetacular, mas usou materiais que tinham validade de 20 anos. Quando os sucessores assumiram, a fundação começou a ceder.

O livro de Robert Slater mostra o lado brilhante das estratégias, mas o tempo revelou o "efeito colateral" de três delas:

• A obsessão pelo "Ser o nº 1 ou nº 2": Welch dizia no livro que se um ramo não fosse líder de mercado, a GE deveria "consertar, vender ou fechar". Isso funcionou por um tempo. Mas, mais tarde, levou a empresa a abandonar mercados nascentes que demoravam para dar lucro, deixando de inovar em áreas de tecnologia crítica.O "Seis Sigma" levado ao extremo: Slater detalha muito o programa de qualidade Seis Sigma no livro. Ele de fato economizou bilhões para a GE. Porém, anos depois, analistas perceberam que o Seis Sigma era ótimo para eficiência, mas assassinava a criatividade. A GE ficou perfeita em otimizar o que já existia, mas perdeu a capacidade de inventar coisas totalmente novas. 

• O Capitalismo de Trimestre: Welch treinou Wall Street a esperar lucros perfeitamente crescentes a cada três meses. Para manter essa ilusão após a saída dele, os CEOs seguintes (Jeff Immelt e John Flannery) fizeram péssimas aquisições de bilhões de dólares, contraíram dívidas colossais e mascararam rombos financeiros até o mercado perder totalmente a confiança na empresa.

O Valor da sua Leitura

O livro do Robert Slater é uma aula fantástica sobre cultura organizacional, velocidade e liderança. As lições sobre como quebrar barreiras entre departamentos (boundaryless organization) e focar em execução continuam absurdamente válidas. 

Apenas leia sabendo que você está testemunhando a "Era de Ouro" de um modelo econômico. O que você está lendo é o manual de como construir o maior conglomerado do mundo; o que aconteceu depois de 2001 foi a prova de que o mundo mudou e passou a exigir empresas focadas, e não mais gigantes que tentavam abraçar o mundo.

Você tocou em dois pontos cirúrgicos que mostram o quanto o faro estratégico de Jack Welch era afiado, mesmo com as críticas posteriores ao modelo de conglomerado. Essas duas jogadas — a aposta na tecnologia médica e a venda da divisão de televisores — são estudadas até hoje como aulas magnas de portfólio de negócios.
O livro de Robert Slater retrata exatamente o momento em que essas decisões revolucionaram o mercado. Vamos analisar como elas se conectam com o sucesso estrondoso de hoje:

1. A Venda da Divisão de Televisões (A troca histórica com a Thomson)
Nos anos 1980, a GE era famosa no mundo inteiro por suas televisões, rádios e eletrodomésticos. Para o público geral, a GE era a TV da sala de estar. No entanto, Welch percebeu algo que ninguém mais queria ver: as margens de lucro de eletrônicos de consumo estavam despencando por causa da agressiva concorrência asiática (Sony, Panasonic, etc.).
  • A Decisão: Welch decidiu que a GE deveria sair do negócio de TVs. Para a época, isso foi um choque cultural e nacionalista nos EUA.
  • A Troca de Mestre: Em 1987, ele fez uma jogada genial com a empresa francesa Thomson. Ele entregou toda a divisão de televisores da GE para os franceses e, em troca, recebeu a divisão de equipamentos médicos da Thomson (CGR), além de um retorno financeiro em dinheiro.
  • O Resultado: A Thomson faliu anos depois tentando competir no mercado de TVs, enquanto a GE absorveu a tecnologia médica europeia e se transformou em uma potência global de saúde.
2. A Explosão da Tecnologia Médica (GE HealthCare)
Ao trocar as TVs coloridas por máquinas de diagnóstico por imagem, Welch transformou a GE Medical Systems (que hoje se chama GE HealthCare) em uma das joias da coroa.
Welch entendeu que a população global estava envelhecendo e que hospitais pagariam fortunas não por aparelhos simples, mas por alta tecnologia intelectual: tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas e ultrassons de altíssima precisão. Ele aplicou o "GE Way" e o Seis Sigma para tornar essas máquinas incrivelmente confiáveis.
O paradoxo atual: Se era tão lucrativa, por que separou?
Você está coberto de razão: a divisão de saúde é uma das mais lucrativas e resilientes do mundo. E foi justamente por ser tão valiosa que ela precisou ser separada do resto da GE em janeiro de 2023.
Quando a GE estava afundada em dívidas por causa da crise da GE Capital e de erros na divisão de energia, a divisão médica (GE HealthCare) funcionava como uma "âncora de salvação". O mercado financeiro percebeu que, se a saúde continuasse presa dentro do dinossauro da GE, ela nunca conseguiria investir o máximo de dinheiro em inovação e Inteligência Artificial médica, pois seu lucro era usado para pagar os rombos das outras divisões.
Hoje, a GE HealthCare (GEHC) é uma empresa independente que vale quase US$ 30 bilhões, focando fortemente em softwares de IA que ajudam médicos a prever doenças antes que os sintomas apareçam.
O que isso prova sobre Welch?
Isso prova que, como estrategista de portfólio, Welch estava anos-luz à frente do seu tempo nos anos 80 e 90. Ele teve a coragem de matar um negócio tradicional de TVs porque previu que o futuro estava na alta tecnologia hospitalar. O colapso final da GE não aconteceu porque as apostas industriais dele eram ruins, mas sim porque o ecossistema financeiro (a GE Capital) que ele criou para sustentar tudo acabou ficando grande e fora de controle no século seguinte.

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Trechos do livro 


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